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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Não me deixem esquecer

Quando se começarem a ver as marcas da idade mais evidentes,
Quando ficar sozinha porque os filhos já sairam de casa,
Quando, inconscientemente, naquela idade me deixar de valorizar,
Por favor lembrem-me de que um dia, quando tinha 20 anos, escrevi isto:
Ser uma mulher de meia idade, a envelhecer mais depressa do que aos 30, com cabelo loiro, pintado, até aos ombros e de franja!
Não quero cortar o cabelo "à rapaz" e fazer permanente, como a minha avó - se alguma vez me passar isto pela cabeça - NÃO ME DEIXEM!;
Não quero desvalorizar-me e dizer que não vou pintar os lábios porque já não tenho idade;
Lembrar-me de que vai haver sempre a possibilidade de vivermos todas juntas e fazer um inter-rail, nem que seja aos 70 anos de idade!
Se eu desejei isto aos 20 anos, e partilhei convosco, é para que:
Não me deixem esquecer disto!

Este é repetido

Segunda feira, 30 de Junho de 2008



Tenho saudades da escolinha...

Faz-me falta a caixa de areia, cheia de pneus que empilhávamos e faziam de tenda. Do parque proibido, que estava sempre fechado e só era aberto quando o rei fazia anos! Das voltas nas cadeirinhas, que me deixavam sempre enjoada e a jurar para nunca mais...


Tenho saudades das salas sem porta e de já saber as letras, mas ser obrigada a fazer os grafismos na mesma... Tenho saudades do espaço atrás dos pavilhões e daquela vez em que montaram os baloiços, que estavam sempre ocupados!... Tenho saudades da caixa de areia e de brincar aos Power Rangers e às Barbies e à apanhada e aos Onda Choc e ao Senhor Doutor e à Mamã dá Licença e ao Macaquinho do Chinês e à Sirumba. Tenho saudades do lanche da manhã e das batatas fritas que o André levava sempre e a minhã mãe nunca me deixava levar. Tenho saudades dos ramos de azedas que o Diogo me dava e de dizer que éramos namorados, sem sequer sabermos o que tal implicava (na altura não tinhamos os Morangos...) e de nunca termos dado um beijinho.


Sinto falta dos corredores e dos cacifos vermelhos. De mudar de salas e professores e ter várias disciplinas. Dos quadros pretos. De roubar o giz para usar nas brincadeiras do recreio. Tenho saudades do recreio. Do toque da campainha, da correria para a fila da cantina com a mochila de trinta quilos às costas.Tenho saudades de ser sempre a primeira a chegar de manhã e de me sentar no muro em frente ao portão e de ver o pátio a encher. Sinto falta da rosa-dos-ventos e dos postes das bandeiras e da sirumba e do chafariz, do beco ao pé dos cães e do campo de jogos. Tenho saudades de dar voltas ao campo de jogos e de gostar do Pedro Henriques e dele gostar de todas e querer namorar com todas e nós ficarmos indignadas. Sinto falta dos dias de verão e dos banhos na fonte e dos dias de festa e das coreografias e do Grupo Coral e Instrumental. Tenho saudades das conversas nas bancadas e dos intervalos passados a olhar para o João Filipe. Tenho saudades das aulas passadas a rir à gargalhada e de ao mesmo tempo estar a ouvir a matéria e a responder às perguntas da stôra... Tenho saudades dos almoços no Modelo e na Buchinha e das idas ao cinema fantasma.


Tenho saudades das aulas de educação física e de reclamar por ter de correr. Sinto falta das visitas de estudo, das cantorias no autocarro e das danças em andamento. Tenho saudades de subir a rua do Mc só para ir comprar um batido de morango. Tenho saudades dos laboratórios de TLQ, todos podres e sem bicos de bunsen. Tenho saudades dos dias de chuva e de chegar encharcada. Tenho saudades dos Açores e de nos esquecermos do António na Fábrica de Chá e de o Diogo ter de voltar para trás a correr porque o autocarro não conseguia dar a volta.


Sinto falta do Liceu...
Do edifício dos anos 50, completamente diferente dos pavilhões a que estava habituada. Da porta de ferro verde, à entrada. Do pátio do Freddy e das horas de parvoíce e gargalhadas. Dos corredores da ala de Biologia ladeados por armários com as prateleiras cheias de animais em formol. Das salas com estrado e todas em madeira a lembrar os antigamentes. Da professora de CTV que usava ténis com fato e era bué à frente porque tinha um brinco no nariz. Da maneira como ela dizia os "éles".
Tenho saudades da "Frente", o sítio dos betos, que passou a ser o nosso sítio no ano a seguir. Da rampa de madeira que foi destruída. Do balneário mais que velho e de descer as escadas de cu e ficar com as calças cheias de pó. De Londres e de gritar "Peido" no meio da rua, de apalpar o Beckham e o Brad Pitt e de apertar o pescoço ao Hitler. De ir para casa do Xico e de nos mascararmos e fazermos vídeos parvos e fotos ridículas. De acabar as aulas à uma da tarde e ir almoçar ao Mc e passar a tarde toda na conversa e a ver o mar. De não apetecer descer a rua do Mc e ir antes à Apapol comer chamuças e chapatas e merendas acabadinhas de sair do forno. De descobir a casa de chá nos prédios novos e ir lá comer sopa e tostas e cheesecake de morango. De andar sempre a correr para apanhar o autocarro e de ficarem comigo na paragem até ele vir. Tenho saudades das aulas de educação física e de o stôr me deixar andar na trave em vez de saltar no plinto. Das aulas de química e de chamar ião NH4+ à amónia e da stôra Alice a rir-se de nós e da nossa ignorância. Tenho saudades das parvoíces com a Inga e das invenções de cábulas a meio da aula que me valeram a palmada na nuca mais cómica de sempre. Tenho saudades do recreio e de me pegar contigo por seres mau e de me pedires desculpa para depois voltares ao mesmo. Tenho saudades das aulas de matemática do 12º. Tenho saudades tuas.
Tenho saudades do cheiro a Verão do último dia de aulas. Tenho saudades dos professores que sabiam o meu nome e o que eu valia. Tenho saudades das últimas semanas de secundário, da nostalgia que se abateu e do pânico dos exames nacionais.


Tenho saudades... Tantas saudades! Dos cheiros, dos sons, das cores, dos risos, dos dramas, das alegrias, da inocência e da inexperiência. Da despreocupação. Da pureza de espírito e da falta de maldade das pessoas.



Tenho saudades da Marta Menezes, da Carla, do Diogo e do Gonçalo.
Da Cátia, da Bia, das Joanas, do Pedro, da Débora, da Joana Silva e da Michelle.
Do André, da Leitão, da Marta, do Jónatas, da Nádia, da Raquel, do Cacá, da Brazão, da Filipa, da Piknóide, do Paulinho e do Pedro Albuquerque.
Da Martita, da Martocas, da Renata, da Mélanie, do Paiva, do Diogo, da Vânia e da Maria Luísa.
Do César, do BG, do Estás bem, do Flu, do Rui, do Vargues e de estar todos os dias com o Xico, a Cevi, a Cat, a Ju, a Inga e o Gonçalo.

Da professora Joaquina, que foi a primeira.

Da stôra Ilda que nos lia estórias nas aulas de português; da stôra Cecília que não queria que eu comesse no bar porque não era saudável; do stôr Marcelino que era Padre mas afinal tinha uma filha e falava axim.

Da stôra Teresa, a melhor de sempre, que ouvia a minha gargalhada na outra ponta do pavilhão mas ria-se quando se zangava comigo; da stôra Cristina, que achava que eu e o André tínhamos uma depressão por passarmos as aulas a rir; da stôra de inglês do 7º que arrancou a foto do João Filipe do livro de ponto e me deu; da stôra de História do 9º que eu adorei o ano todo e passei a odiar depois da viagem a Paris; da stôra Fernanda, com quem as coisas começaram pessimamente, mas acabaram mais que bem; da stôra de Ciências do 7º, que parecia mazona e afinal era uma comédia; da stôra de inglês do 8º que tinha aparelho nos dentes, me chamava Agnes e era só rir.

Da stôra Elsa e o seu ar de fada; da stôra Tininha e as piadas com o stôr Rúben; do stôr Rúben e os seus chinos da Quebramar; da stôra Catarina e as boleias para casa e o Afonsinho na barriga; do stôr Talefe, do símbolo mundial no pin na lapela e de me desbroncar à frente dele acerca das cuecas da sorte.

Da stôra Florença, que não sabia que ia ter uma aluna nova; da stôra Alice que nos chamava atrasados mentais mas que nos adorava; da stôra Hermínia que nos levou a Londres e até do stôr Rogério que disse que eu tinha a nota de Biologia inflaccionada e em quem esfreguei o 19 do exame na cara.

Saudades nossas, de sermos felizes e dizermos que era para sempre. Será que conseguimos dar a volta?


Ai as saudades que eu tenho da escolinha...


Escrevi isto em junho, no Caramelo e agora fui reler... Achei que fazia sentido trazê-lo para aqui...





segunda-feira, 24 de março de 2008

Bocas de Incêndio


Coisas curiosas, as Bocas de Incêndio... Passam anos no mesmo sítio, estão sempre lá. Faça chuva ou faça sol, nunca saem do sítio. Ninguém lhes liga nenhuma... Até chegar o dia em que qualquer coisa pega fogo! Aí é ver tudo de roda da pobrezinha, a enfiar-lhe mangueiras e a desatarrachar-lhe os parafusos!...
As Bocas de Incêndio estão sempre lá, mas só se usam quando é preciso.
É uma pena que eu não seja uma Boca de Incêndio.